Entrevista: Matilde Viegas

Há uns dias (semanas?) andamos a falar no facebook sobre Matilde Viegas e como temos tanto todos em comum, decidimos fazer uma entrevista. Carlos Sol tratou da história, em tom de conversa.

Entrevista a Matilde Viegas

Há uns dias (semanas?) andamos a falar no facebook sobre Matilde Viegas e como temos tanto todos em comum, decidimos fazer uma entrevista. Carlos Sol tratou da história, em tom de conversa.


Do pouco contacto que tenho tido contigo, conheci a Matilde fotógrafa, a Matilde escritora e a Matilde bioquímica.
Quem é a Matilde Viegas?

A Matilde é uma tipa um bocado confusa pois não sabe o que fazer nem com os neurónios que tem nem com a imaginação, por vezes, demasiado fértil. isto já vem desde criança, quando pôs metade da turma de 3º ano a chorar por causa de uma composição sobre o Hitler e os judeus queimadinhos. também houve uma sobre Jesus e outra sobre duas irmãs gémeas que partilhavam o namorado Bernardo. Mas, independentemente disso, a Matilde é uma tipa feliz, orgulhosa por conseguir fazer muito do pouco de que por vezes dispõe.

Ou seja, basicamente estás a dizer que levantas o caos por onde quer que passes.
Diz-me lá, a humanidade corre o risco de tornares-te um sucessor do Hofmann?

Ahaha, não trarei tanto bem à humanidade! deixemos isso para os verdadeiros altruístas, ele foi um baby, eu não serei tão baby. Serei mais assim:


                                                                                                   “just chillin”

A maior parte das tuas fotos, aborda o íntimo dos que te rodeiam. Isso nasce de algum medo de deixar escapar momentos com eles?

Talvez sim, talvez não. o medo, se existente, não é consciente. o que eu gosto é de me aproximar das pessoas, de viver com elas, de guardar as suas vidas e de pegar em partes dessas e meter na minha. É uma troca, se bem que mais no meu sentido do que no deles. A fotografia tornou-se também a desculpa para me aproximar das pessoas, para ultrapassar barreiras. o caso mais evidente será o nu que fiz com a Rita, a menina que sempre aparece de mamas à mostra (e ela tem imenso orgulho nisso), com esse pretexto tornámo-nos bem mais amigas do que anteriormente. E mais situações poderia enumerar aqui. Por isso, não, não penso que seja medo, mas sim um enorme desejo de viver.

Ou seja, é uma das tuas técnicas de engate camuflada?

Pena não ser virada para raparigas caso contrário, sim, eu seria a zézia camarinha com uma câmara na mão!

Guardas algum momento mais marcante, em relação à fotografia?

Acho que deve ter sido a primeira vez em que tirei um retrato que me pusesse maluca. Foi este aqui:

Ficou lindo e eu pensei “Quero tirar mais!” e agora tiro. É lindo!

Foi a primeira vez que pegaste numa máquina?

Possivelmente, se não foi a primeira deverá ter sido a segunda vez que peguei uma analógica. Claro que quando era miúda “brincava” com as máquinas digitais das minhas amigas mas confesso que não era grande espingarda com aquilo ahah

E porquê esse fetiche com o filme?

O fetiche por filme, eu não sei, confunde-me até o porquê de só gostar disto mas suponho que se deva à imprevisibilidade da coisa, de quase nunca saber o que irei obter. Também pela espera que é imposta, por nada ser imediato como no digital, por seres obrigado a ir a uma loja de fotografia, contactar com diferentes pessoas e procurar pelo melhor preço, melhor scanner ou melhor revelação. acabas por conhecer muita gente neste meio, que gosta das mesmas coisas que tu,gente que te ensina ou gente a quem ensinas, gente que se dedica e que se interessa.
O propósito do filme não é apenas o grão e as cores bonitas, é também todas as pessoas que vêm pela sua mão, toda a magia a ele associada. O digital é solitário, o filme é uma festa!

Ultimamente começaste a ter mais exposição, tanto no Analog Nights, (not) Common People e mais um site manhoso que agora não me recordo o nome. Este mini boom foi mais ou menos planeado?
Com a exposição no Porto, penso que queres de alguma forma levar a tua fotografia um pouco mais longe e que esta projecção toda deve estar a ajudar.

Sem dúvida alguma! Acho que a “pressão” de estar a expor-me obriga-me a melhorar e a ir mais longe, uma vez que o número de olhos postos em mim é muito maior. Mas não se resume só a isto; por vezes coisas bonitas acontecem à conta desta maior divulgação. A sitação mais caricata foi receber um e-mail de uma menina que gostava muito das minhas fotografias e, e-mails decorridos, descobrirmos que estudamos na mesma faculdade! Como diria uma amiga minha “estas coincidências fazem a minha vida.”

A tua vida parece uma novela. É daí que vem a tua paixão tremenda e incontornável pelo escritor Bukowski?

Ai, o Buks! Somos grandes amigos mas, agora, metemos férias um do outro. Dantes éramos os melhores amigos, eu e as suas Mulheres (li o livro duas vezes, tal era a minha adoração). Agora ele está mais numa de Pão Com Fiambre mas ainda não me apeteceu comer esse petisco. Talvez num próximo picnic manjemos os dois (eu e o Buks).
Mas o Buks é um pequenino Deus e eu, sendo Deusa, não lhe devo nada senão respeito e adoração.

Soube que andaste a ter aulas de espanhol e já dominas a cena, não queres terminar a entrevista e dizer qualquer coisa marota em espanhol?

Tu cabeza en mis bragas.

A galeria com o resto do trabalho de Matilde está aqui.

Carlos Sol é um fotógrafo de Lisboa com uma bela colecção de câmaras que até nós invejamos. É também o “gestor” por trás do We Love Film, uma loja online de rolos.

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2 Comments

  1. prometo que aprenderei a fazer entrevistas.

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