Hambúrguer a sério no Porto? Experimentem o Bop.

Bop Café

O fast gourmet.

Que difícil e complicado é hoje em dia escolher um sítio para comer um hambúrguer no Porto. Lembro-me de ser miúdo e de ainda ter o McDonald’s como referência gastronómica; vindo eu de uma família onde dominava o tradicional português, francês e o ocasional prato argelino (mescla fruto de uma família enorme que se fartou de emigrar), o McDonald’s era uma coisa completamente fora do baralho que deixava impressões fortes na cabeça de uma criança. Rodavam os anos 90 no calendário, e para comer um hambúrguer destes precisávamos de ir ao Porto, já que em Braga não havia nada destas modernices.

Duas décadas depois, a realidade é muito diferente. Invadido o mercado português com cadeias de fast-food internacionais (em 2001 aparece o Burguer King), surge um novo conceito na restauração nacional: o fast-food gourmet e as suas versões do famoso hambúrguer. Em 2007 surge o primeiro restaurante da nacional H3 em Lisboa, seguido da Hamburgueria Gourmet em 2008 também na capital. A norte, no Porto, surge em 2010 a Hamburgueria Bugo – Art Burguers, e desde então a baixa de ambas as cidades tem seguido com a adição de novos restaurantes do género. Muitas das casas de hambúrgueres nacionais tornaram-se elas próprias em cadeias, viajando quilómetros para instalarem a sua marca em cidades distantes. A H3, por exemplo, tem hoje restaurantes no Brasil e em Angola.

As apresentações patetas da H3.

As apresentações patetas da H3.

No entanto, uma coisa é certa: todas estas hamburguerias oferecem adaptações às vezes muito similares do famoso prato americano inventado por imigrantes alemães. Estas moldagens são por vezes demasiado complexas para o seu próprio bem, recorrendo não só a queijos extremamente fortes mas também a elementos muito doces a contrastar com outros muito salgados – um exemplo é a mistura de banana caramelizada com queijo da ilha no “Bailinho” da casa Bira dos Namorados, mas há certamente outros que seriam dignos de referir.

Por mais que goste de complexidade continuo a achar que a fórmula clássica do famoso hambúrguer é a mais eficiente. A réplica mais próxima do hambúrguer americano que tínhamos até hoje fazia parte do menu do Burguer King, mas este não vem sem defeitos, típicos de uma cadeia de fast-food. Sonhava, sonho e sonharei com um In-n-Out em Portugal, rezando para que o dono venha um dia a Portugal de férias e decida abrir aqui o primeiro restaurante na Europa. (Para quem não sabe, a In-N-Out é uma cadeia regional norte-americana, e é considerado tão bom que há pessoas a atravessar estados só para visitarem um destes restaurantes.)

Bop - Mesas

Bop – Mesas

Um encontro acidental com o (cheesy) hambúrguer.

Discretamente, e a leste das minhas fantasias, um restaurante / café que já conhecia apresenta um novo menu: o Bop assumia-se de fresco como um restaurante especializado em cozinha americana com alguns desvios. Devo dizer que fiquei parvo com o tamanho do menu para uma cozinha tão pequena: para além dos hambúrgueres, há sandes, pratos quentes, doces e entradas que nos lembram os cardápios de alguns diners que conhecemos de filmes, onde a forma como o xarópe de ácer cai sobre as panquecas é tão pornográfica que nos enche de calores só de olhar.

Recentemente, num pico de fome e gula, decidi visitar o Bop para um lanche. Aconselhado pela cozinheira, decidi experimentar a Chicken Melt, uma “tosta prensada com peito de frango grelhado envolto em maionese, abacaxi grelhado, queijo edam e manteiga de alho”, servida com um enorme guardanapo de papel a prever a ordinarice que se ia derreter pelas mãos. Confirmou-se: a Chicken Melt é um festival de tamanho generoso, dividida a meio para não parecer tanto, servida quente e a escorrer frango, queijo e maionese pelos cantos que não se pode desperdiçar. Sou um glutão assumido e até a mim esta sandes custou a assimilar até ao fim, mas não deixei de o fazer com um grande sorriso na cara, a falar sozinho feito maluquinho enquanto elogiava a sandes. Por 4.70€, isto é um roubo à casa.

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Uma Melt, versão Tuna.

3 horas depois ainda me sentia satisfeito, mas a vontade de lá voltar para experimentar o hambúrguer foi mais forte. Às 10 da noite regresso ao Bop, tentando não apanhar muita gente e, mais uma vez, pedir conselhos à cozinheira.

Recomendam-me o hambúrguer Double Cheesy, a versão da casa do clássico cheeseburguer numa adaptação muito tradicional, com poucos ingredientes e a respeitar o intemporal: pickles, cebola roxa, mostarda, ketchup, cheio de cheddar e dois patties de 90gr de carne de novilho. No meio de todos estes menus contemporâneos onde não faltam os nomes irónicos e auto-conscientes, este Double Cheesy é um milagre de tão simples e tão saboroso, onde os ingredientes não se atropelam, a carne não tem ponta de dissabor e o queijo vem em quantidade suficiente para segurar tudo num pedaço de céu. Tudo isto acompanhado de um cesto de batatas fritas (ou aros de cebola) chamadas Satan’s Fries, regadas a cheddar, cebola caramelizada e 999 Ilhas – uma versão Bop do famoso molho Mil Ilhas. Para ajudar a empurrar escolhi a cerveja da casa com que partilha o nome: Bop, uma läger semi-artesanal que se bebe (demasiado) facilmente.

Mr. Bean Burguer - O hambúrguer Vegetariano do Bop

Mr. Bean Burguer – O hambúrguer Vegetariano do Bop

Não é um hambúrguer para quem vive a comer nos gourmets, da mesma forma que a francesinha do Santiago não é para quem diz que a versão da Taberna Belga em Braga é a melhor coisa do mundo. Percebo que para muitos importe principalmente a quantidade de ingredientes e a extravagância de um prato, mas há qualquer coisa na capacidade de harmonizar tão pouco e, mesmo assim, entregar uma experiência na mesa. O Double Cheesy é mesmo isso porque tudo o que tem, sabe bem, sem palhaçadas.

O Bop tem também menu para quem adora um segundo pequeno-almoço (seus hobbits) ou um pequeno-almoço tardio: desde panquecas a cereais, french toast ou uma taça de fruta com iogurte. Há menus de pequeno-almoço para todos os gostos que incluem também ovos mexidos, bacon, torradas, bagels e muitas outras coisas.
Não foram também esquecidos aqueles que pensam em almoçar: de segunda-feira a sexta-feira está disponível um hambúrguer com 90gr de novilho, queijo cheddar, alface iceberg e tomate, com chá gelado, limonada ou cerveja a acompanhar, mais um expresso (delicioso 100% arábica) para terminar.
Há também um serviço take-away para os mais reservados (porque não há nada como jabardar num hambúrguer, ou vários, no conforto e privacidade da vossa casa).
Provavelmente esqueci-me de algo; se quiserem ver o resto do menu podem consultar aqui.

O Bop encontra-se aberto das 10h à 01h na Rua da Firmeza, nº 575, e a cozinha abre das 11h à meia-noite.

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