Ghost In The Shell: o trailer oficial já pode ser visto aqui!

Ghost in the Shell Trailer: Scarlett Johansson Major Motoko

O trailer do 1º filme live-action do Ghost In The Shell chegou hoje à internet. Como fã que sou da série, estou num dilema, dividido entre os escândalos de white-washing do filme e ainda pouco ou nada convencido da aparente necessidade de fazer um remake de um filme que já é, por si, uma verdadeira obra prima contemporânea (surpresa, não é um remake!).
Mas o que está feito, está feito, e não vale a pena estarmos com couldashouldawoulda’s eternamente, gritando o dia inteiro com “e se…?”. Está na altura de vermos, analisarmos e tentarmos perceber o que é que virá deste filme com Scarlett Johansson, Michael Wincott, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano e Michael Pitt.

Let’s look at the trailer!

Para quem nunca viu os filmes ou a série, talvez este trailer seja confuso de assimilar. Ghost In The Shell é uma história que se centra numa personagem chamada Major Kusanagi (Scarlet Johansson), uma ciborgue e líder de um esquadrão numa organização chamada Public Security Section 9, uma força japonesa contra-terrorismo e anti-crime.
O universo Ghost In The Shell é uma exploração profunda a uma hipotética sociedade futurista, que tem como pilar o corporativismo como sistema político. Neste universo, próteses, melhoramentos humanos através da cibernética e até mesmo a reconstrução de corpos como objectos mecânicos (mantendo o cérebro original do indivíduo) são uma realidade, mas com isto toda uma série de questões se levantam. Tudo está ligado de alguma maneira e organizações nefastas recorrem principalmente ao hacking como crime, pirateando até as mentes de alguns mais incautos e implantando falsas memórias – indivíduos da sociedade, afastados progressivamente do seu estado orgânico, não só se debatem sobre o que significa ser humano mas são também possíveis alvos de um novo tipo de crime como consequência de fazerem parte de uma vasta rede global que liga todos os seres, máquinas e sistemas operativos. Para alguns, isto pode ser mais um absurdo da ficção científica, mas acontecimentos recentes que abalaram a rede e o recente boom no desenvolvimento de próteses cibernéticas transformam esta realidade numa possibilidade cada vez mais próxima. Em resumo,  Ghost In The Shell é uma discussão filosófica sobre o que significa ser humano e sobre o que define a fronteira entre a humanidade e a máquina.

Ao longo da história, e enquanto tenta ao máximo ser uma profissional eficiente, a Major debate-se ela própria com estas questões depois de se deparar com um caso de ghost hacking. Trabalhando para a Section 9, não pode reclamar propriedade sobre o corpo cibernético onde o seu “ghost” (o equivalente à alma) vive, consecutivamente destruído depois de cada missão arriscada a que se submete, e reconstruído pela organização que mantêm intacto o cérebro da Major. Esta é dona apenas da sua suposta consciência, consciência esta que tem vindo a questionar se continua a existir. Será ela ainda humana, apesar de não ter corpo, ou será já uma entidade robótica senciente, capaz de desenvolver pensamentos e emoções, e que confunde a sua natureza? Os pensamentos tornam-se mais e mais difusos cada vez que “morre” e é posteriormente ressuscitada, levando-a a aceitar novos limites da sua existência como ser individual.

O franchise é composto por uma série de publicações, 3 narrativas em séries televisivas e 5 filmes, sendo este com Scarlet Johansson o último destas adaptações. Pelo trailer percebe-se que há elementos do 1º Ghost In The Shell que a maioria conhece (nem que seja pelo vídeo de Wamdue Project) e elementos da série Ghost In The Shell: Stand Alone Complex – que tem como antagonista o “Laughing Man”, um hacker misterioso com cinzentas intenções, caracterizado neste último filme por Michael Pitt.
A estética revelada no trailer aproxima-se bastante à animação original, desde a arquitectura do novo Japão pós-IV Guerra Mundial ao look cyberpunk característico do franchise.


O que podemos então esperar desta adaptação? Talvez uma história condensada, que junta histórias do franchise que não estão directamente ligadas, mantendo ao mesmo tempo a intenção de retratar as origens de alguns dos elementos da Section 9, incluíndo Kusanagi e Batou (Pilou), origens estas discutidas na 2º temporada de Stand Alone Complex.
Há personagens novas pelo caminho: Dr. Ouelet por exemplo, vista neste trailer a aconselhar e a reconfortar Kusanagi depois desta última estar a ser reparada, algo que não me lembro de acontecer no franchise e que pode ser um problema existir agora: para mim, um dos retratos da eficiência da sociedade corporativista do universo GITS é a forma como Kusanagi é tratada como um objecto depois de rapidamente reparada, acordando sempre sozinha em sua casa depois de mais uma experiência traumática onde se viu morrer. Neste trailer Kusanagi mostra até emoções durante o processo de reparação e, mais estranho ainda, parece não se lembrar das suas origens, algo que não é bem assim na história original e que pode vir a ter um grande impacto na forma como esta personagem discute a sua natureza.

Outra grande surpresa: não há Tachikomas! Boooooo!

No geral, a estética é do meu agrado e a mescla de narrativas talvez seja a forma mais eficiente para adaptar o universo Ghost In The Shell, mas ainda não me convence Scarlet Johansson como Motoko Kusanagi, uma personagem fria, que tinha como principal característica não expressar emoções e manifestações de prazer ou de dor. Há diversos comportamentos na Major e pequenas pistas que alimentam perfeitamente a discussão sobre se esta será ou não completamente robótica, mas nesta adaptação de GITS, Kusanagi parece ser muito mais emocional do que retratada originalmente. Verdade seja dita, todas as adaptações do franchise tomaram grandes liberdades criativas face à Manga original, por isso mesmo, talvez seja demasiado cedo para criticar o que aparenta ser o filme neste primeiro trailer oficial. É uma possibilidade que este universo faça ainda mais sentido do que fez até agora, mantendo a temática da pós-humanidade ao barulho da forma como sempre o fez.

Ghost In The Shell tem estreia prevista a 31 de Março de 2017 nos cinemas americanos.

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