Vamos esquecer o calendário Gregoriano?

gregorian

Presta atenção, humanidade! Kurzgesagt, o famoso canal de Youtube onde passamos horas a absorver informação comprimida, propõe-nos oito minutos para repensarmos no impacto que o calendário Gregoriano tem na forma como olhamos para a nossa espécie. Referindo Cesare Emiliani (o cientista que descobriu que as eras do gelo na Terra são cíclicas), a malta do Kurzgesagt sugere estabelecer um novo ano zero definido por um marco da história da nossa espécie. A proposta para este novo ano zero é a data (média) da edificação daquele que é considerado o primeiro templo da humanidade, erguido por um grupo pré-civilizacional da Idade da Pedra há 12.000 anos. A construção deste monumento precede as pirâmides do Egipto em 7.000 anos e ninguém hoje em dia percebe muito bem como é que um grupo primitivo conseguiu tamanho feito de engenharia. A este templo chamamos hoje de Göbekli Tepe e foi descoberto em 1996 na actual Turquia, considerando-se que à sua volta surgiram os moldes da civilização como a conhecemos hoje.
Este evento marcaria então o fim do Pleistoceno e início do Holoceno, a época onde a humanidade e a biosfera que conhecemos surgiram. Mas qual seria o ganho de tal alteração, em especial para a ciência?
Antes de mais, é importante referir que o ano zero do calendário Gregoriano não é livre de disputas: para além do nascimento de Jesus não ser um evento relevante para toda a humanidade, é também uma péssima desculpa para definirmos como separador, criado assim um “antes” e um “depois” na história dos seres humanos. Não só complica as contas para a cronologia dos acontecimentos da humanidade, mas entra também em conflito com todos os calendários existentes de outras religiões. Não faz sentido que a ciência ainda use oficialmente o calendário de uma religião em particular, confundindo e complicando as contas – lembram-se da seca que foi perceber na escola que até 1 DC os anos contam-se em ordem decrescente, complicando assim a percepção do tempo? Depois, é também necessário notar que não há assim tão grande consenso na data precisa do nascimento de Jesus e que a falta de ano zero (no calendário Gregoriano salta-se do 1 AC para 1 DC) é uma inutilidade com consequências na forma como fazemos contas.
Mas talvez mais importante seja a possibilidade de incluirmos toda a humanidade e os seus feitos num calendário que pudesse ser adoptado universalmente. Não só as contas ficariam mais fáceis para todos, mas olharíamos de certeza para outras culturas com renovados olhos, deixando para trás esta forma Eurocêntrica de pensar. Para vos convencer disto, sugiro que vejam o vídeo abaixo. Vá lá, são só 8 minutos e assim já têm conversa para a ceia da noite de Natal.
Feliz  ano 12,017!

 

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